domingo, 13 de setembro de 2009

Sorriso caranguejo



caranguejo sorriso
sorriso bobo
corre ali do medo
que ele quer te alçar
já vem, já foi e já volta

sorriso caranguejo
se guarda na carapaça
mas se mostre nas pinças
caminha no mangue
reage a esse Eco-Sistema

manobra
para alcançar estas árvores suspensas
confronte
os predadores

sai dessa toca
já que a maré salina
por enquanto baixou

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O concreto tal como me parece


Paredes espessas
Parecem se fechar
Cada vez mais
Sufocado me encontro
Não por falta de ar
Mas por excesso desse
Esse velho ar que invade
Meus pulmões
E provocam reboliços no estômago
O estranho é este teto
Não me parece desabar
A chuva só cai lá fora
Aqui?
Nem indicíos de pingos
Se por ventura aparecer
serão tão secos como esse ar

Impressões na penumbra


Na penumbra
Eu podia ver, ouvir e sentir
O pulsar do tempo
Lá na sala, o relógio não me deixa esquecer
Que agora é noite
Mas depois será dia
um novo e velho dia

E assim será
enquanto puder notar
E a penumbra por inteiro
não me tomar

Comunicando-se com o vento




Para onde esse vento quer me levar?
Sim, Eu já ouvi na canção que a resposta está nele
Mas por que tanta insistência em influenciar minha trajetória?
Não tenho culpa se o mar facilmente abre pra ti
E se as águas agitam perante sua presença

Gosto que não seja sempre ameno
Só assim posso valorizar um bom ar
Por sua incostância me sinto um furacão
Potencializo como você, devastando pequenos e grandes detalhes
Absorvendo-os para meu interior
Lançando para fora já o inviável
Percebo contato que dentro ou fora
No fim das contas tudo fica desvastado

Temos a mesma origem
A dos cosmos
E de lá nos alimentamos
Nosso fim me parece além do infinito

Você massacra a minha lógica
Por que tantos caminhos a seguir?
Para que tanta diversidade?
Já te sinto tão fraco
Preciso mover muitos moinhos
Para notar sua existência

Caro Vento
Em resumo, apenas te pergunto:
Jaz nos cais ou nasce nos portos?
Perdoe-me o incômodo
mas as aves não conseguem me dizer

sábado, 4 de julho de 2009

Poesia sobre o hoje, é para o amanhã


Devo desde já
A todos avisar
O que é de hoje
é puramente informação
O nexo do hoje
está no amanhã

Eis aqui de fato
um poema-pílula
Degluti agora
Efeito depois

sábado, 23 de maio de 2009

O homem das moscas, as moscas do homem



Numa terra não tão distante daqui, havia um homem muito bondoso, zelava por ter uma vida pacata entre os seus entes queridos e essa era sua única pretensão, todos os seus esforços caminhavam apenas para realizar esse desejo. Nada parecia distinguir aquele homem dos demais, levantava todos os dias, se despedia da mãe e dos irmãos, caminhava então para seu trabalho e lá cumprimentava os seus colegas, era um pessoa que de certa forma gozava de um bom cargo (financeiro) como arquiteto e não parecia ser um homem de envolvimento com vícios, por esses motivos, ninguém conseguia compreender o por que do ar tão melancólico dele, o olhar frígido e a expressão de enfermidade do seu rosto. Ninguém podia imaginar que aquele homem já há muito tempo, não era um fim em si mesmo.




Um dos seus colegas de trabalho desconfiava disso, era muito instruído intelectualmente e mas encarava ser apenas moralmente, por suas constantes leituras em Kant e tentava demonstrar ao moribundo, o postulado do "Imperativo Categórico", dizia que todo homem deve agir em conformidade aos preceitos de todos os outros, só assim seria possível o equilibrio necessário a ele. O homem ao ouvir tudo aquilo em um certo tom de reprovação do seu colega, em nada se surpreendeu, pois ele agia assim, ainda que as circustâncias pedisse para desistir.




O homem ao voltar para casa naquele dia, já sentia a aproximação do seu tormento, tentou jantar tranquilamente com sua família e comunicou a sua mãe que teria de ficar no porão para concluir um projeto, a mãe sempre conssentia sem replicar, pois suas amigas sempre comentavam que seus filhos ficavam tão obcecados em terminas seus projetos também. Era quase que instântaneo, o efeito de apagar as luzes e as moscas já caminharem em seu entorno, ziguezagueando pelos seus ouvidos, pelos braços, pernas e dominava o resto do corpo. Só escutava palavras na sua mente, parecia está repleta de moscas zombeteiras que zoneavam em cada região do seu cerébro, fazendo um zumbido interminável e cessava após sua zonzeira, quando desmaiava em cima de seus papiros. Na manhã seguinte, a sua mãe ia acorda-lo e o via como se estivesse sofrido uma doença grave, não costumava fazer perguntas pra ele com relação ao trabalho, pois se ele ofendia, então ela lembrou-se de uma frase de Camus e disse: "Todo mal e amargura pode ser consolado com amor". A mãe o abraçou e o homem se debruçou em lágrimas,sentindo que moscas saiam dali. Ele contou tudo pra ela que ocorria, que provavelmente sofria de zoantropia e ela lhe disse que seria a viúva- negra a espera dessas moscas.




Dias passavam, dentre um comentário e outro que o homem ouvia, sentia que ao chegar em casa, as moscas viriam novamente, ele perderia os membros como sempre e não poderia espanta-las, mas isso já não importava, pois uma aracnídea exímia estava prestes a protege-lo, com um poder além de si mesmo e de qualquer outro, o poder do amor.

terça-feira, 24 de março de 2009

Dicas para pontuação


Aula I

Costuma-se dizer.conceituar e definir os pontos.
pontos: dois. médio. cardeal. comercial. cirúrgico. G.
Acostuma-se ao costumar-se.
Repele-se os contos.
Que não há os pontos.
Digo - lhe.
Pontue - se.
Mas conte - se.
Não se adeque com um círculo pontual.
Gire em forma de um círculo.
dum ponto.
movimente - se assim.
Se Contorne.
Me contorne.
para um ponto.
Situe-se.
Pronto.
este é seu ponto.
mas precisará ser um final?
A conclusão será pertinente ...

sábado, 17 de janeiro de 2009

A respeito das co-relações de Dona Vida e Seu Devir


I

Compreenda Seu Devir,
Dona Vida não quer se adaptar a nada
Ela já se acostumou a sê-la
em sua totalidade irreconhecível

Lhe foi dada a oportunidade
De ter sua essência animada
Desde então ela repousa
Pelas estradas do devir

Sensacionista
Deseja ser eterna
Ela lhe nega
Porém ela te ama meu caro senhor
Necessita do seu desequilíbrio - harmônico
Pois ela precisa fazer juízo ao seu próprio nome



II


Compreenda Dona Vida
Seu Devir é incostante
Ele não se acostuma em sê–lo
Deseja tornar – se sábio ao desconhecido

Lhe foi dada a capacidade
De ter sua existência perene
Desde então ele trafega
Pelos ares da vida

Intuitivo
Deseja ser transitório
Ele lhe condena
Porém ele te ama minha cara senhora
Precisa do seu equilíbrio – desarmônico
Pois ele também precisa seguir juízo ao seu próprio nome


III


À você
Ser Vivo
filho desta relação
Detenha – se a explorar sua imensidão
Pois eu, Grande Tempo
Tenho apenas a dizer
Panta rhei
Panta rhei
Panta rhei
...