terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O que dizer do Poeta ?



EXTRA! EXTRA!
Notícia alarmante
Identidade do poeta
Nenhum jornal anuncia
Aquele passo turvo que cruza a avenida

Meditando imerso em sonhos
Com forte teor de mudanças
Planejando o que está além de si e de nós
Escreve com ardor versos livres para voar

Mas vejam só o Poeta é como nós
Ele corre
Se cansa
E cospe demais

Ele até se desequilibra
O que diriam os antigos poetas
Ele quase não se enclausura
trabalha noite e dia

Mas vejam
Há algum diferencial naquele homem
Há um diferencial
Naquele homem há algum diferencial
Naquele homem

Há veia, há carne e há sangue como nós
Mas o que é aquele olhar de saber
Aqueles movimentos inquietos
o mordaz sorriso
e esse sentimento tímido
acho que nem o mistério explica

Pega um bloco de notas, anota
Diz ter atingido o ápice do tudo
Ultrapassado o uno
Depois faz meia – volta e vira algum qualquer

Por qual motivo entre tudo que existe
Ele se deita na rede
Admira o céu nebuloso
Vê essa avalanche de sons
E escuta todas essas imagens

Não entendo esse Poeta
Acho que ele me segue
Ou talvez a rota dele seja similar a minha
Que seja bem vindo então
Mas sei ao certo seu objetivo
Navegar como eu, provavelmente
E você, o que pensa do Poeta?

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O Nada do novo espírito Narciso


Narciso está de volta
Amanhã terá liquidação dele
Diante o encanto de Eros morreu
Afrodite fingi não conhece - lo

Narciso não tem mais reflexo
A margem agradece
Riu dele Hélios e o deixou de iluminar
Colossal e banal
Isso transformou Narciso
Santo sorrateiro, sonâmbulo e sórdido
Outrora quem sabe curem - no

Narciso foi vendido
A burguesia o comprou por alguns vinténs
De muito mal gosto e de pouco colosso
Aproveitem a liquidação

Narciso nada no Ego
A loucura abençoa
Rarefeita a devoção
Cósmico já não és
Isso tem tendência no meio
Sorte pra sã consciência ou mesas psicólogas
Onírico prazer proporcionou

Agora por favor, não mate Narciso
Horário terminado
!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Apenas Palavras




Peço - lhe licença
Quero apenas sua breve atenção
Só quero devorar sua ótica
De maneira sucedível
Calma meu irmão
Perguntar não é uma ofensa

Conduzi-lo ao pensamento
Pregar - lhe uma peça
Me responda, quem é você?
Porque corre os olhos aqui tão depressa?
Hoje, já viste teu olhar no espelho?

O Que achou daquele olhar faminto e misericordioso?
Afagou - o com uma adaga
ou apenas cruzou o caminho inverso?
Por conta de teu assombro, o próximo desabou
Por conta de teu desengano, o distinto desfavorece
Mas se tu, não fazes isso
Porque se preocupa com essas palavras?
Feche o olho e prossiga sua jornada
Apenas tenha cuidado
para não ser atropelado

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

A humanidade apenas precisa das crenças religiosas para fazer o bem?


As crenças em forças espirituais na humanidade datam – se desde a Pré – História, os nossos ancestrais buscavam nas observações intuitivas do seu espaço, respostas aos fenômenos naturais catastróficos como as tempestades, as erupções vulcânicas e os furacões, por não apresentarem recursos analíticos necessários para compreende - los, em muitas ocasiões foram atribuídas à responsabilidade desses fenômenos às forças divinas, crença já notável em suas pinturas rupestres nas cavernas que visitavam com suas práticas nômades. A demanda do tempo, o comportamento sedentário e as organizações grupais se tornaram comuns aos nossos antepassados, realizações que provocaram no desenvolvimento da espécie, pois reunidos obtinham mais segurança e poderiam trocar experiências, das quais, a invenção da escrita representou um grande facilitador para propagação da cultura de cada nação, desenvolvendo também um importante fato para a organização social, a religião.

A relação do homem com a religião, mostra – se presente em vários dos setores da sociedade, sendo a política um forte influenciado por esse no mundo antigo,as formações de estado tinham como caráter a teocracia ou seja uma forma de governo que julga ser uma autoridade capaz de determinar as leis por ser emanada as idéias de uma determinada (s) divindade(s). Na atualidade, ainda existem estados teocráticos, como o Vaticano dominado pelo catolicismo e sendo seu maior representante, o papa e o Irã, dominado pelo islamismo. Apesar de hoje, a maior parte do mundo ser formado por estados laicos, sem intervenção da religião no Estado, ainda nota – se um forte apelo por parte da própia sociedade em efetuar sua cidadania, elegendo governantes que façam juízo de suas determinas crenças.

Os pensamentos fundamentados em excesso na religiosidade podem transformar um índividuo em fanático, gerando conflitos para si próprio e para os demais que o rodeia. As guerras em torno da propagação da religião foi um fator predominante por quase toda Era Medieval, o conflito entre os católicos e os mulçumanos durante a diásporas para conquista de territórios e conversão de fies , foram legitimados por muitas batalhas com derramamento de sangue. Ainda o fator da crença tem uma forte presença nas guerras, regiões como a do Oriente Médio, palco de três influentes religiões mundiais, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo, nestes grupos constantemente existem conflitos armados e na Irlanda do norte, as guerras civis entre católicos e protestantes trazem desordem no cenário social deste país. Por todos os cantos do planeta a intolerância religiosa se faz presente, impulsionados pelo preconceito e a vontade de propagar os ideais religiosos como adequados a uma realidade universal, a necessidade de uma religião vem tomando um olhar negativo de muitos cidadãos do mundo.

A religiosidade pode mostrar efeitos positivos quando posta em prática de uma maneira pessoal, respeitando os ensinamentos baseados na clareza de idéias da sua crença e respeitando a prática de cada um, mas para isso a racionalidade deverá atingir mais importância na necessidade do homem em fazer o bem.

terça-feira, 22 de julho de 2008

O espelho da mais bela



Oh espelho difuso
a gotejar no assoalho
tudo a cair
tais beldades despencam
em um vale do nada
ressonantes são seus ecos

Irreverente funcional
Mostre - a quem és
dos seus infinitos pontos
Diga-lhes quão se parece cega
Pois sua intimidade precisa do real
Não faça um descaso com seu reflexo virtual
E com a suposta progressão que ela admira

Oh belos brilhantes
demonstre sua fragilidade
a rica é pobre
pobre de véu
onde está a sua refração ideal, só tu sabes

Se preciso espelho
quebre - se nos menores cacos
junte - se a poeira estelar
mas não a corte
troque apenas seu reflexo embaçado
quem sabe assim
o som e a imagem
demonstre - a que é a mais bela

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Caminhos falantes, ouvintes e espectadores


Caminha o jovem Pietro
Aos seus campos lírios, dizendo ir atrás do vento
E ao que te leva a isso?
As vozes uníssonas de compaixão perguntavam
Não veria ele a formosura das vestimentas de cetim, os palacetes de ouro, as carruagens modernas?
Ele com ardor combatia todas, berrando ao seu vento que assoprasse a todos também com as vossas palavras


Andava o jovem Pietro
Aos seus litorais amenos, dizendo ir atrás dos pássaros
E ao que te importa a isso?
As vozes uníssonas de comiseração perguntavam
Não veria ele a beatitude das cédulas verdes, os planaltos esmeros, as jóias brilhantes?
Ele com fervor rebatia todas, berrando aos seus pássaros que assobiassem a todos também com as vossas vozes


Corria o jovem Pietro
Aos seus matos amenos, dizendo ir atrás do sol
E ao que te leva a isso?
As vozes já não tão uníssonas de pena perguntavam
Não veria ele a imensidão dos valores terrenos, das informações designas
Ele com amor admiravam todas, berrando ao sol que aquecesse a todos também com a vossa luz interior

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Em medo e em corte, Domenico morre




Dorme Domenico
Domenico dorme
Em medo
Dorme dorme
Medonico em medo
Em muito medo
Em pouco dorme

Medo dorme
Dorme medo
Corte Medonico
Do Domenico
Morre Medonico

Pobre medo
Dorme pobre
Morre medonico
Domenico morre

terça-feira, 1 de abril de 2008

Pro lado de cá e de lá




Por cá dentro
Tudo se é mar
Por lá fora
Tudo se é cantar
Pois lá e cá
Quer transformar
Só que lá
Quer guerrilhar cá
E cá
Quer salvar lá

Por cá
Questiona-se
Por lá
Elabora-se
Ainda que transparecesse e percebesse
Nada mais que só esses
Versos lacônicos
Só figuram alternância
De uma paradoxal concordância
A estrepitar num ser
Talvez cômico ou não
Lá e cá
Cá e lá
Cala lacuna
Lacuna cala

sábado, 1 de março de 2008

Cosmo em Transe





Transcendente pela Via Láctea

Enfretando cinturões e cometas

Adapto - me aos planetas

Sem o anel de Saturno

Não seria digno dos teus oportunos

olhos citilantes estrelas

como a noite arrebatadeira

que inverte a esteira

Cá estou novamente

na espera do contato do seu grande sol

felizmente