sábado, 23 de maio de 2009

O homem das moscas, as moscas do homem



Numa terra não tão distante daqui, havia um homem muito bondoso, zelava por ter uma vida pacata entre os seus entes queridos e essa era sua única pretensão, todos os seus esforços caminhavam apenas para realizar esse desejo. Nada parecia distinguir aquele homem dos demais, levantava todos os dias, se despedia da mãe e dos irmãos, caminhava então para seu trabalho e lá cumprimentava os seus colegas, era um pessoa que de certa forma gozava de um bom cargo (financeiro) como arquiteto e não parecia ser um homem de envolvimento com vícios, por esses motivos, ninguém conseguia compreender o por que do ar tão melancólico dele, o olhar frígido e a expressão de enfermidade do seu rosto. Ninguém podia imaginar que aquele homem já há muito tempo, não era um fim em si mesmo.




Um dos seus colegas de trabalho desconfiava disso, era muito instruído intelectualmente e mas encarava ser apenas moralmente, por suas constantes leituras em Kant e tentava demonstrar ao moribundo, o postulado do "Imperativo Categórico", dizia que todo homem deve agir em conformidade aos preceitos de todos os outros, só assim seria possível o equilibrio necessário a ele. O homem ao ouvir tudo aquilo em um certo tom de reprovação do seu colega, em nada se surpreendeu, pois ele agia assim, ainda que as circustâncias pedisse para desistir.




O homem ao voltar para casa naquele dia, já sentia a aproximação do seu tormento, tentou jantar tranquilamente com sua família e comunicou a sua mãe que teria de ficar no porão para concluir um projeto, a mãe sempre conssentia sem replicar, pois suas amigas sempre comentavam que seus filhos ficavam tão obcecados em terminas seus projetos também. Era quase que instântaneo, o efeito de apagar as luzes e as moscas já caminharem em seu entorno, ziguezagueando pelos seus ouvidos, pelos braços, pernas e dominava o resto do corpo. Só escutava palavras na sua mente, parecia está repleta de moscas zombeteiras que zoneavam em cada região do seu cerébro, fazendo um zumbido interminável e cessava após sua zonzeira, quando desmaiava em cima de seus papiros. Na manhã seguinte, a sua mãe ia acorda-lo e o via como se estivesse sofrido uma doença grave, não costumava fazer perguntas pra ele com relação ao trabalho, pois se ele ofendia, então ela lembrou-se de uma frase de Camus e disse: "Todo mal e amargura pode ser consolado com amor". A mãe o abraçou e o homem se debruçou em lágrimas,sentindo que moscas saiam dali. Ele contou tudo pra ela que ocorria, que provavelmente sofria de zoantropia e ela lhe disse que seria a viúva- negra a espera dessas moscas.




Dias passavam, dentre um comentário e outro que o homem ouvia, sentia que ao chegar em casa, as moscas viriam novamente, ele perderia os membros como sempre e não poderia espanta-las, mas isso já não importava, pois uma aracnídea exímia estava prestes a protege-lo, com um poder além de si mesmo e de qualquer outro, o poder do amor.