
Explicações teóricas afins de existencialismo são relativamente importunas para uma grande maioria que pensa já ser complicado se entender, dirás querer entender fulano, beltrano e sicrano. Isso se dá ainda mais quando se trata do mundo em que vivo, o mundo dos números, todos acham que somos tão exatos que nada temos a dizer.
Essa parábola que conto vem dum fluxo de ideias, a qual me deixava abismado quanto à cólera que vocês seres humanos tinham de mim e de todos meus amigos números, talvez pelo fato de determos responsabilidades de chefiar coisas muito importantes para vocês: como o tempo, os sinais, os valores, dentre outras demais classificações. Vocês nos usam, nos movimentando pra atender os seus recursos, confesso que ao meu ver, muitas vezes ingratos. Eu não queria pensar assim de vocês, afinal existe uma relação mútua entre nós, sentimos vazios sem as suas presenças e sabemos que também sentem, quando estão sem nós. Portanto tomei a decisão de permitir que nos delimitassem. Então, me colocaram na condição de um sol. Não nego que me agradei por demais com essa ideia, eu era o zero, o ponto de partida do meu grupo que agora, começou a ser chamado de cardinais, éramos dez ao total. A ordem era 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9.
Por um breve tempo a felicidade foi instalada. Éramos até mesmo alvo de discussões para ver qual era o preferido de cada humano, eramos lembrados em datas importantes. Mas como já desconfiávamos da natureza humana, decidiram nos movimentar mais, e mais, e mais. A criação do capital provocou até mesmo estranhas aglutinações do nosso uso, e as discussões agora eram sobre quem possuiria o maior número possível. Nós sabíamos que éramos grandes, só que não sentíamos mais desta forma, meus amigos ficaram tão chocados com isto que obtiveram uma presença negativa imensa e se transformaram em -1, -2 , -3, - 4 , - 5 , -6, -7, -8 e -9. Tava a confusão formada, eu ganhei agora um peso gigante, afinal eu estava na responsabilidade de centro, não podia ter carga, tive que me manter indiferente às opiniões. Então, talvez por isso, muitos me odeiam, ninguém quer dizer que tá zerado, pois visto isso no mundo do capital, é algo ruim, pior do que os negativos, porque estes dependem dos pontos por onde estão olhando o ocorrido. Afinal o ditado afirma: "é ruim pra uns, melhor pra outros".
Não nego minha tristeza quanto ao fato de na escola, a professora lecionando matemática dizer aos seus alunos que o ZERO não faz diferença nos cálculos. Pensei em desaparecer de uma vez do meu mundo, então conversei com meus colegas do mundo das palavras, me convenceram de que do a ao z, muito eu poderia dizer. E assim, eles cederam a si mesmos para que eu pudesse escrever nesse papel aqui, e só assim, vocês humanos talvez, pudessem entender como me sinto.
Tão pouco tempo me afastei, já notei a inigualável desordem que assolaria o mundo de vocês, já estavam planejando uma tal de 3ªGuerra Mundial, destruir uns aos outros parecia a única solução, além de não mais fazer contas da matemática, já não podiam contar nem comigo, nem consigo mesmos.
E por pensar sempre no fundo das coisas, da infinitude da existência, eu circulei meus pensamentos por minha forma igualmente infinita, e percebi o que já desconfiava, ao todo, nós do mundo dos números e meus amigos do mundo das palavras, representamos DEZ, CEM, MIL, MILHÕES, INFINITOS significados para vocês.
E por pensar sempre no fundo das coisas, da infinitude da existência, eu circulei meus pensamentos por minha forma igualmente infinita, e percebi o que já desconfiava, ao todo, nós do mundo dos números e meus amigos do mundo das palavras, representamos DEZ, CEM, MIL, MILHÕES, INFINITOS significados para vocês.
Um comentário:
A vida em si, é cheia de dilemas, inquietações, e cada vez mais os indivíduos altivos e ativos se perguntam as verdadeiras normas, ordens e as principais respostas para duvidas nunca dantes respondidas no nosso meio.
As respostas vêm com o tempo, tempo este não percorrido por uma ordem cronológica e espacial, mas por ordens difusas, imensuráveis horas especiais.
Quando, no meio de relações interpessoais essa ordem se altera causa uma série de conflitos e novas dúvidas aparecem a perder de vista.
o sentimento de enfraquecimento, prepotência e desolamento nos faz enxergar como um "zero a esquerda"
Zero este não valorizado por indivíduos pertencentes ao meio social.
Além do zero ser um numeral, cardinal, natural, se faz presente em muitos momentos da vida
começando e encerrando ciclos de eternos amanheceres e entardeceres, dia e noite, vida e morte, ser, estar ,permanecer, condições estas presentes na caminhada mundana.
Mas há de se observar que tudo gravita ao nosso redor de tal forma que a presença é muito importante ,também a ausência com todo o zero é indispensável, pois na falta é que existe a valorização.
Que haja a conscientização e consciência da importância de toda ordem para não inutilizar o progresso e assim o crescimento pessoal.
Que se cuide Drummond, Magalhães
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